Em companhia de dois brasileiros e uma norte-americana, encarei o antigo campo de concentração de Auschwitz. Localizado na cidade de Óswiecim, no sul da Polônia e a 75km a oeste de Cracóvia, um dos maiores símbolos do terror e do genocídio praticado pelos nazistas funciona hoje como museu e guarda muita angustia e histórias cruéis. Pegamos o ônibus na rodoviária de Cracóvia (mesmo local da estação de trem) e em menos de uma hora, observávamos os arredores do antigo campo, que é afastado do centro habitacional e comercial.
Se o clima em Cracóvia era gelado, em Auschwitz ele piorou. Quando chegamos, o ônibus estacionou e ao abrir a porta, vi uma camada espessa de gelo no chão. Fiquei receosa ao descer. “Onde devo pisar?”, pensei. Mas foi ali mesmo que saltamos. Caminhamos até a entrada do museu e contratamos um guia turístico que orientou a visita e nos contou detalhes da história do lugar. A entrada no campo é gratuita.
De acordo com o site oficial de Auschwitz, o campo foi ativado em 1940 por alemães e no mesmo ano, cerca de 8 mil pessoas tiveram o registro de entrada. Calcula-se que o total de vítimas tenha sido de 1,1 milhões, de 27 nacionalidades diferentes e 90% deles, judeus.

Quando os prisioneiros chegavam em Auschwitz, davam de cara com a frase “Arbeit Macht Frei”, “o trabalho liberta”. Detalhe: o famoso portão da foto não é o original, porque ele havia sido roubado e no dia da minha visita, ainda não haviam o recuperado.

Cada detalhe dos prédios, das escadas, cercas, muros, portas, paredes… me fez imaginar o sofrimento das pessoas que passaram por ali, tenham elas sido prisioneiras ou não. Não deve ter sido fácil pra ninguém viver ali por cerca de cinco anos, período de funcionamento do campo (1940 a 1945).
Todos os dias, para controlar os prisioneiros, a SS fazia chamada e contava-os um a um. Tinha vezes que o processo durava 12 horas e eles eram obrigados a ficar em pé todo o tempo.

Durante a visita, passamos por um pátio, entre os blocos 10 e 11, que entre 1941 e 1943, a SS assassinou milhares de pessoas, numa parede de execução. A maioria das vítimas era presos políticos, líderes de organizações clandestinas e pessoas que facilitaram de alguma forma fugas e comunicação com gente de fora do campo. O local também servia para aplicar punições, castigos e torturas. A parede de execução foi desativada em 1944 quando as execuções passaram a ser na câmara de gás.

Senti um arrepio enorme ao me aproximar daquela parede. Fiz uma oração em memória das pessoas que tiveram suas vidas tiradas naquele local e me afastei, deixando para trás também as flores, velas e mensagens póstumas que os visitantes deixam ali.
O bloco número 11 era conhecido como o “Bloco da Morte”. Teve muitas funções, como cadeia central do acampamento, para onde homens e mulheres suspeitos por tentativa de fuga, organização de motins ou manter contato com o mundo externo eram enviados. O guia contou que os prisioneiros eram punidos por qualquer razão. Seja por apanhar uma maçã, fazer suas necessidades no horário de trabalho ou por realizarem suas atividades lentamente.
Como a maioria dos campos de concentração, Auschwitz também possuía uma câmara de gás e crematório. Inicialmente, a SS construiu executava os presos no porão do bloco 11, anos mais tarde, foi construída uma câmara maior, fora do complexo de celas.

Antes da guerra, este prédio era um depósito de munição, depois, foi usado como crematório. No outono de 1941, a grande sala que servia como necrotério foi adaptada para funcionar como uma câmara de gás improvisada. Em 1943, foi desativada para dar lugar às câmaras no campo de concentração de Birkenau. Então, o local passou a ser um armazém e abrigo antiaéreo da SS.

Em muitos locais, há mensagens pedindo silêncio em lembrança ao sofrimento e memória dos mortos. E é assim que termino, silenciosa em respeito a todos que têm uma parte de sua história presa ali.